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Sobre renúncias


Adeildo Filho


Renúncia. Taí outra palavra que vem perdendo seu significado ao longo do tempo.

Sempre que ouvia essa palavra minha mente automaticamente a conceituava como algo nobre, ou seja, alguém que possuía um imenso direito abriu mão dele e do benefício dele em favor de outra pessoa. Mais ou menos como uma mãe que renuncia seu tempo e suas noites em favor do filho, ou então o avô que renuncia o dinheiro de sua aposentadoria para que o neto possa estudar em um colégio melhor. Invariavelmente a renúncia (na minha cabeça é claro) significa deixar, abandonar ou desistr de algo bom e não substituí-lo por nada além da vontade de fazer o que é certo, o que é bom.

Pois bem, os anos vão passando, o amor vai esfriando e a renúncia começa a ter outro sentido. Renuncio uma coisa que a meu ver não é tão boa assim em favor de outra que considero melhor. Deixo, abandono e desisto daquilo que não tem mais valor para mim e vou em busca de algo melhor.

A verdadeira renúncia foi exemplificada por alguém que abandonou toda a sua glória para que os nós-cegos (como eu) pudessem achar uma saída. De quebra substituiu o seu manto pela pele nua, sua coroa por espinhos, louvores por cuspos na cara e seu trono por uma cruz.

Realmente não se fazem mais renúncias como antigamente.


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  1. Não se faz mais cristãos como antigamente... renúncia é uma das palavras que resume o cristianismo, porém as pessoas estão muito mais preocupadas com as suas próprias vontades do que a do Pai eterno. Eu vejo um monte de "crianças na fé" fazendo birra com Deus... dando ordens ao seu próprio criador.

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  2. Sabe, no fundo, continua o mesmo. Pense comigo, se nós aceitamos abrir mão de nossa vida terrena em prol de uma eterna celestial, é porque acreditamos que esta vida atual é uma coisinha que vale pouco, se comparada àquela. Se, por outro lado, alguns querem abrir mão só de umas esmolas por uma vitória - qualquer que seja - que esperam de Deus, é porque elas abrem mão de uma coisa que não davam muito valor, por outra que acham melhor. Exatamente como proposto no texto. O princípio é o mesmo.

    O que mudou foram os valores das pessoas. As pessoas estão cada vez mais materialistas e imediatistas. Tanto o que crê na eternidade quanto o que crê que Deus vai retribuir em dobro (ou triplo, ou mais!!!) o que ele fizer, estão arriscando alguma coisa. As principais diferenças talvez sejam o quanto cada um está disposto a arrisar e o que cada um quer.

    Não sei se de fato os antigos valorizavam mais a eternidade e as coisas mais perenes do que as de hoje, mas sei que hoje em dia realmente as pessoas são materialistas e imediatistas. Não estão tão dispostas a abrir mão de coisas materiais pelas espirituais. Não estão tão dispostas a se expor ao risco de abrir mão da diversão e prazer por uma vida que, por mais que possa ser infinitamente melhor, a única garantia de se obtê-la é a fé.

    Talvez seja hora da Igreja rever seus valores. Tanto enquanto Igreja quanto enquanto humanos que somos.

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