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Decifrando os mistérios da Bíblia


Hermes Fernandes


“Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).


Naquela época, os espelhos não eram tão polidos quanto hoje. A imagem refletida no metal era distorcida pela sua superfície irregular. Por isso, era necessário que se buscasse uma posição de onde se pudesse ver com mais precisão.


As Escrituras Sagradas nos servem como espelho através do qual podemos ter um vislumbre de Deus.


O que podemos ver num espelho? Qualquer coisa para o qual ele esteja voltado. Assim é com as Escrituras. Ao lê-las, podemos enxergar através delas nossas próprias deformidades. Suas páginas revelam a ambigüidade da natureza humana, capaz de proezas e crueldades, virtudes e vícios.


A Bíblia não esconde nem maquia as vicissitudes de seus heróis. O mesmo Davi que derrota Golias, se rende ao encanto da mulher alheia, e acaba cometendo adultério seguido de homicídio. O mesmo Abraão que se dispõe a oferecer o próprio filho em sacrifício a Deus, omite do rei do Egito a informação de que Sara era sua esposa. Podemos nos ver em cada personagem bíblico. Cada situação que enfrentamos em nosso cotidiano encontra paralelo em suas histórias.


Por isso, Tiago nos exorta:


“Se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla no espelho o seu rosto natural e, depois de se contemplar a si mesmo, vai-se e logo se esquece de como era” (Tg.1:23-24).

Portanto, ler a Bíblia é encontrar-se consigo mesmo. É enxergar sua silhueta emergindo de suas páginas.


Mas quando posicionamos o mesmo espelho na direção de Cristo, vemos Sua glória nele revelada. É como posicionar um espelho na direção do sol. Toda a glória do astro rei pode ser refletida num caco de vidro.


A melhor maneira de se ler o texto sagrado é mantendo os olhos em Jesus. Ele é a nossa Pedra de Roseta*, a chave interpretativa das Escrituras. Tudo aponta para Ele. Desde os sacrifícios exigidos pela Lei, passando pelas festas instituídas por Deus, aos acontecimentos épicos narrados no Antigo Testamento, tudo tem o objetivo de nos revelar a figura central das Escrituras: JESUS CRISTO. Portanto, deve-se ler a Bíblia a partir de Jesus.


Não são as Escrituras que são perfeitas, mas a imagem que elas se propõem refletir. Se fizermos uma leitura crítica, poderemos encontrar dados não tão precisos, como por exemplo, onde o morcego é classificado como ave. Mas se nos posicionarmos corretamente diante deste espelho, poderemos ver claramente a perfeição d’Aquele que a inspirou, ao mesmo tempo em que perceberemos nossas debilidades.


Não há como isolar uma imagem num espelho, apagando o seu background. Quando fitamos nele, vemos também o pano de fundo, o ambiente à nossa volta. Da mesma forma, ao lermos uma passagem escriturística, devemos considerar seu contexto histórico. Não basta ler suas linhas; temos que investigar suas entrelinhas. Não é em vão que Jesus nos orienta a investigá-las. Uma leitura superficial é incapaz de revelar-nos o Deus que Se oculta nas entrelinhas.


Se cremos numa revelação progressiva como acreditavam os reformadores, temos que supor que esse espelho vai ficando cada vez mais polido, até encontrar seu auge nas páginas neo-testamentárias. O que antes era obscuro, agora está mais límpido e claro. As sombras, os ritos e os tipos do Antigo Testamento cedem lugar à realidade revelada pela luz de Cristo Jesus (Cl.2:17; Jo.1:17).

Não vá às Escrituras como quem vai a uma cartomante, ou quem consulta ao horóscopo. Abri-la aleatoriamente não nos trará qualquer benefício. Também não vá em busca de dados científicos precisos. Abra suas páginas em busca de Cristo, e você o encontrará. "São elas que testificam de mim", garantiu Jesus.

* A Pedra de Roseta (foto acima) é um bloco de granito negro encontrado no Egito em 1799 por soldados do exército de Napolão Bonaparte. A sua importância se deve ao fato de que, à época de seu estudo, no século XIX, proporcionou aos investigadores um mesmo texto escrito em hieróglifos (escrita egípcia antiga), em egípcio demótico e em grego clássico. Como o grego era uma língua então bem conhecida, a pedra serviu como chave para decifração dos hieróglifos egípcios, que por séculos se mantiveram como uma incógnita. Por causa desta importante achado, milhares de textos egípcios puderam ser interpretados, decifrando a história desconhecida do antigo Egito, e muitas vezes comprovando a acuridade dos textos bíblicos.

***Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah





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  1. Irmão Hermes:

    Brilhante interpretação, parabéns!

    Grande abraço, em Cristo!

    Ruy Marinho
    Blog Bereianos
    www.bereianos.blogspot.com

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  2. Prezado Danilo,
    o que o autor quis dizer com: "Não são as Escrituras que são perfeitas, mas a imagem que elas se propõem refletir"? Se as Escrituras não são perfeitas então não podemos confiar nelas? Você não acha que o texto ficou ambiguo? O autor afirma que podemos encontrar dados não precisos. Não precisos à luz de qual conhecimento? Quando olhamos a história com olhos de hoje distorcemos totalmente o resultado alcançado. Parece-me que algumas afirmações do parágrafo em tela são contraditórias com as do próximo paragrafo. O texto em si tem muita coisa boa,prática e é oportuno.
    Um abraço
    Em Cristo

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  3. Pastor Fernando!

    Sempre enorme satisfação receber seus comentários.
    Vou deixar o próprio Hermes responder.
    Apenas como reforço, e nem é o caso aqui. Lembro sempre que o Genizah é uma revista com vários editores e colaboradores. E mais ainda: publica artigos de várias outras pessoas quando julgamos ser representativos e relevantes ao debate. Afinal a nossa Verdade é a Verdade. Nós aqui queremos exercer um pouco desta inteligência maior do protestantismo. Impar. Preciosa. Que nos permite ter contato com as Escrituras e lê-las e compreendê-las e ouvir individulamente o Deus nos falando, ainda que tenhamos nosso entendimento amado em nosso grupo: batista, presbiteriano, pentecostal, etc.
    Tudo isto para dizer que é saudável protestar e debater, na maturidade.
    Claro que temos um limite: confissão positiva, sincretismo, igreja gay, rodopios e seitas podem falar, mas só no dia 30 de fevereiro, se cair num sábado! kkkk

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  4. Prezado Pr. Luiz Fernando,

    Quando digo que as Escrituras não são perfeitas, não me refiro àquilo para o qual foi destinada: ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça (2 Tm.3:16). A Palavra de Deus é perfeita! Entretanto, devemos ponderar acerca da precisão científica que ela jamais reclamou para si. Ora, se admitirmos que a revelação é progressiva, como acreditavam os reformadores, teremos que assumir que a revelação de Deus se adequa ao contexto para o qual é destinada. Por exemplo: a menor partícula da matéria que os hebreus reconheciam era o pó da terra. Por isso, Deus o toma como alegoria da constituição física do homem e dos animais. Não faria sentido se Deus usasse uma linguagem só acessível milênios depois. Imagine se as Escrituras dissessem que fomos feitos a partir de células, ou mesmo moléculas. Não estou dizendo que a Bíblia contenha erros, e sim que não devemos nutrir expectativas que exijam dela precisão científica.

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  5. Então, quando Caio Fábio afirma que Jesus é a chave hermenêutica de toda Escritura, ele está certo. Por que criticam tanto o homem ao afirmar isso? Já vi o Yago Martins detonando o Caio por causa dessa afirmação, realmente não entendo.

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    1. Suyne, não é o Caio e nem são os que são contra ele... Não são os que são de outra opinião nem contra ou favor, muito pelo contrário.
      Pergunto a você o que o Espírito Santo fala ao seu coração o que é mais acertado e consiso??? Quem é o centro de tudo??? Reflita! Não responderei a esta pergunta, cada um peça discernimento a Deus e com certeza Ele responderá com certeza, e creia nisso!

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  6. Com a palavra o legalista da prostituição no Brasil!

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  7. Realmente, a letra mata e o espírito é que vivifica. Da mesma forma que há uma essência sobre a forma no direito, nas Escrituras aplica-se o mesmo princípio. Por exemplo, Moisés escreveu inspirado pelo Espírito Santo sobre a carta de divórcio (Deut. 24), e os Judeus do tempo de Jesus utilizavam descuidadamente deste recurso, uma vez que Moisés não havia explicado o princípio do casamento neste texto, embora tenha deixado em outra parte o seu significado. É o que faz Jesus em Marcos 10 quando revela que a intenção do Espírito Santo era outra da realidade que eles os judeus estavam ensinando e vivendo, pois no princípio (Genesis), na essência, Deus era contra o divórcio sobre qualquer pretexto, daí a síntese de Jesus: "O que Deus uniu não separe o homem". Assim é o entendimento que o Espírito Santo dá à própria escritura que é em essência a palavra de Deus. O que prevalece é a intenção do Espírito e não meramente a letra, pois como é sabido muitas heresias foram formadas a partir do que está escrito na Bíblia.

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